Pelos Cafés do Mundo: Central, de Viena
O Café Central, o supremo instagramável! O que quer que signifique esta palavra que mistura vontade de aparecer, caricatura e mundo-como-cenário. Os turistas hoje empesteiam a portentosa porta na esquina a partir das 9 hs. Eu [é claro] entre eles. Empesteiam – formam uma fila pela Herrengasse na direção da Catedral a tornar as fotos da entrada bem menos instagramáveis. Herrengasse significa “Aleia dos cavalheiros”, o que quer que isso signifique.
E naquela época todos se consideravam cavalheiros – pelo menos os que interessam para nossa história, e todos eram uns chatos. Pelo menos um, vá. Por falar em empestear, Freud parece fazê-lo em todos os cafés tradicionais de Viena. As plaquinhas para turistas e os verbetes da Wikipedia insistem em considera-lo cliente tradicional de todos – e isso para mim apenas torna o ambiente mais pesado. Não consigo imaginar Freud a sorrir. Sempre aquela cara de azia.
Azia esta que [espero] não tenha
sido contraída ao comer os acepipes do Café Central, a uma mesa do qual me sentei
e pedi os inevitáveis cappuccino e croissants com geleia. A decoração a imitar certo
barroco, pois na segunda metade do século XIX já passara o momento do estilo. Eram
nove horas, meus colegas turistas já se empilhavam pelas mesas vizinhas e a
família japonesas fazia contorções para caberem todos na foto. Freud viria com
alguma explicação psicanalítica para tal comportamento mas Freud, como sabemos,
era um chato.
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