Pelos Cafés do Mundo: New York, de Budapeste
A segunda vez foi no reputado Café
mais belo do mundo. Cheguei pontualmente às oito da manhã. Medida sábia: pelas
nove já não havia mais mesa. As moças fardadas me abriram a porta, um sujeito
tocava ao piano música clássica húngara, sentei-me à mesa indicada. No mesmo
segundo o sujeito mudou para os doces acordes de Tom Jobim. E depois João Gilberto,
Astrid e por aí foi. Eu falara em inglês com a atendente, mas foi à porta,
baixo, e em inglês. Como soube que eu era da terra do sambão?
O Café New York tem esse confuso nome de uma cidade em outra – isso não o demove de constar sistematicamente na lista de 10 mais belos cafés do mundo e geralmente é considerado o primeiro. É um exagero – mistura de palácio do século XVII tornado museu junto com mostruário de decoração estilo rococó, é o único lugar do mundo talvez em que ir para o banheiro é uma experiência estética.
O pianista me perguntou se eu
estava a gostar da seleção musical. Deixei-lhe boa gorjeta. Só não soube que
ele percebeu que eu era brasileiro. Talvez nunca saiba, paciência.
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