Pelos Cafés do Mundo: New York, de Budapeste

Nele tomei minha segunda lição de como os húngaros conhecem os estrangeiros sem pedir passaporte. Na estação Deak Ferenc Ter do Metrô vi que os funcionários pediam bilhetes das pessoas. Eu mal chegara à cidade e comprara um cartão de cinco dias de transporte público. Eu já me dispunha a explicar que eu não tinha bilhete mas um cartão etc. Mas me deixaram passar. Como quem pensa: “esse é gringo!” Foi minha primeira lição.

A segunda vez foi no reputado Café mais belo do mundo. Cheguei pontualmente às oito da manhã. Medida sábia: pelas nove já não havia mais mesa. As moças fardadas me abriram a porta, um sujeito tocava ao piano música clássica húngara, sentei-me à mesa indicada. No mesmo segundo o sujeito mudou para os doces acordes de Tom Jobim. E depois João Gilberto, Astrid e por aí foi. Eu falara em inglês com a atendente, mas foi à porta, baixo, e em inglês. Como soube que eu era da terra do sambão?

O Café New York tem esse confuso nome de uma cidade em outra – isso não o demove de constar sistematicamente na lista de 10 mais belos cafés do mundo e geralmente é considerado o primeiro. É um exagero – mistura de palácio do século XVII tornado museu junto com mostruário de decoração estilo rococó, é o único lugar do mundo talvez em que ir para o banheiro é uma experiência estética.


O pianista me perguntou se eu estava a gostar da seleção musical. Deixei-lhe boa gorjeta. Só não soube que ele percebeu que eu era brasileiro. Talvez nunca saiba, paciência.

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